A TEORIA DO NADA

Maria Auxiliadora de Souza Brasil

Tadeu de Paula Pedersoli

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INTRODUÇÃO

Desde os dezoito anos de vida, eu mergulhei na minha adultez jovem, com o desejo de fazer algo pela humanidade que estivesse ao meu alcance, procurando entender o processo evolutivo do ser humano vivendo, o que levou, a longo prazo, à elaboração das teses acadêmicas sobre a infância, em 1962, sobre a adolescência em 1963, e sobre a adultez, em 1973.

Um prazo maior de estudos e pesquisas, incluindo a prática das minhas funções, levou-me a lançar a coleção da minha teoria e da minha técnica em 2008 em formato bilíngue português e inglês, a qual denominei “Surge uma Aurora”, onde descrevi os fundamentos dela, teológicos, filosóficos e científicos, bem como a teoria mesma, a técnica psicoterapêutica dela decorrente, e a simbolização de todos os termos empregados nelas.

Tal obra deu nova vida à clínica que meus colegas e eu havíamos criado, levando também à criação da fundação que tem meu sobrenome, Fundação Souza Brasil, e a criação da Escola Existencial Otávio de Oliveira Brasil, meu pai, com a Biblioteca Zilda de Souza Brasil, minha mãe, Escola esta que visa a formação daqueles que, tendo se submetido aos cinco semestres de autoconhecimento em grupo, pretendem adquirir autorização para utilizar a minha técnica.

Complementarmente, escrevi “ O novíssimo testamento” e “ A Metateoria do conhecimento filosófico” e suplementarmente, “Vida e autoconhecimento”, com Roberto Patrus Mundim Pena, “Vida e adultez”, “Vida e Sexo”, com Márcia Teixeira de Freitas e Rubens Cançado Magalhães Ribeiro, “Vida e alienação”, com Rubens Cançado Magalhães Ribeiro, “Vida e Utopia”, “Vida e simbolização”, com Márcia Teixeira de Freitas”, “Vida e mística” e “Vida e testamento”, coleção também bilíngue, a qual denominei “ Uma luz no caminho”.

Em seguida, escrevi “A verdade” que abordou os seguintes temas: o universo, o ser humano, o sexo, a administração, a educação, o amor, Deus, a verdade e uma apologia de Deus. Todo indivíduo necessita conhecer o universo onde habita, o que significa ser humano, saber como praticar o sexo, administrar os seus bens, educar-se, amar, amar a Deus e procurar, sempre, a verdade de tudo.

A notícia sobre os meus estudos, pesquisas e prática profissional visa clarificar o caminho que segui até ousar uma teoria do nada, onde está escrito o que se segue. No primeiro capítulo, afirmei o nada que tudo é. No segundo capítulo “Os mitos” e no terceiro“ Os milagres”, meu coautor, Tadeu, registrou o que lhe foi possível compilar sobre tais assuntos, fornecendo-me material para refutar as crendices existentes.

Deu-se um acontecimento interessante na minha vida, quando divulguei minha primeira coleção. Um purista, que me deu a honra de a ler, alertou-me para o fato de que a palavra “adultez” não existe no vernáculo, constituindo um neologismo criado por mim. Fiquei estarrecida, pois, para mim, tal palavra sempre existiu. Decidi que ela vai continuar existindo, e pronto!

A teoria do nada é a afirmação de que o ser humano não é capaz de conhecer a sua origem e o seu destino, e que todas as tentativas de os explicitar criam crenças confusas, todas elas erráticas e fantasiosas, bem como sistemas de pretensa sabedoria sobre tudo o que é.

A única solução para a humanidade é exercer o livre arbítrio, crer no que quiser crer, afirmar o que quiser afirmar.

Nenhuma religião prova coisa alguma e nenhum sistema de pensamento elucida os problemas do existir. A origem de tudo é uma nebulosa tão carente de saber que incapacita de nela se pensar. Até onde possamos imaginar, cada indivíduo origina da conjunção do esperma com o óvulo, torna-se ovo, e evolui segundo etapas do seu viver até morrer, tornar-se pó; e toda semente produz o seu fruto, na mais variada profusão.

O indivíduo que luta de todas as formas, desde as tertúlias até o ribombar atômico, na defesa do que crê e do que pensa que sabe, encontra-se encastoado na infância aguerrida ou na adolescência querelante, impondo ao mundo o seu retardo, matando e destruindo tudo que é contrário ao seu crer e ao seu pensar, num ímpeto descomunal.

Tal indivíduo leva consigo o vigor aguerrido da ignorância crassa que domina no mundo. O Oriente Médio, na sua história, jamais deixou de pugnar por nada. Lembro-me de que, quando criança, quando passava por um grupo de crianças, eu, meus irmãos e nossos amigos, meu pai, antevendo tertúlias, indagava, jocosamente, “como vão as coisas aí no Oriente Médio?”

Os desentendimentos constantes entre os povos não fazem nenhum sentido, senão o de trazer à tona o retardo em que se encontra a humanidade, em face da ignorância sobre o existir e o conviver que só se resolverá com um processo educativo rigoroso e libertário, produto de um sistema didático coerente e eficaz, qual seja o por mim decantado.

Eu parto do princípio de que o ser não tem fundamento por que é abismo, é fundante, e é fundante em liberdade. Vale-se ele do princípio da razão suficiente, princípio de fundamento que tem em sua base a liberdade. Considero, portanto, que o ser determina o fundamento, que estabelece livremente as condições que, em seguida, passam a desenrolar-se necessariamente.

Cada ser humano é um peregrino, da sua peregrinação particular do berço ao túmulo. Ele nasce só, vive só e morre só. Ele necessita amar a verdade acima de tudo, deixar de temer a solidão, sentir-se no Todo, e ao Todo servir. No seu viver, ele busca a paz, que só ocorre quando ele vive a autodisciplina.

O mundo, no seu cotidiano, é um ambiente de antagonismos e de resistências, onde impera o dualismo separatista, devendo o indivíduo salvar-se dessa trama pelo próprio esforço. Viciado, porém, em suas formas de conduta habituais, necessita ele de uma educação adequada para a descoberta da verdade e a elevação do espírito.

O indivíduo deve saber que, quanto mais conhece, mais livre se torna para escolher sua conduta. Ele deve estar alerta para o questionamento de problemas insolúveis, como o da existência de Deus e o da origem e do destino do universo. Quando indagado sobre tais verdades, Jesus respondeu “Não podeis saber ainda”.

Cabe ao indivíduo equacionar o seu viver no tocante à estática e à dinâmica das coisas e do universo e à estrutura a ao funcionamento dos organismos. O indivíduo, quer creia ingenuamente no que lhe ensinaram, quer se oponha ao ensinado, busca minimizar sua ansiedade pela responsabilidade sobre o seu existir.

Ao indivíduo cabe tentar unificar os dados das diferentes leituras da realidade, refletir sobre elas, e decidir sobre o que aceitar e o que recusar no seu viver. Embora o entendimento humano não possa alcançar a verdade sobre a existência de Deus, deve haver uma verdade, uma meta, um destino.

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